No avião com as crianças: manual de sobrevivência

by Bettina Monteiro on julho 19th, 2010

Dicas para viajar de avião com as crianças sem perder a cabeça – e sem levar ninguém à loucura

A primeira viagem de avião ninguém esquece. Nem você, nem os vizinhos. Os aviões são uma espécie de baleia que engole a felicidade dos pequenos. Primeiro por privá-los de um bem precioso: a liberdade — de ir e vir, de pular, de brincar, de rir alto, de se esconder, de correr… Segundo por machucá-los com a diferença de pressão. E finalmente por desesperá-los em horas que não passam mais.

Dicas para evitar a choradeira a bordo

Dicas para evitar a choradeira a bordo

Não é raro as crianças abrirem o bocão a bordo. Não é raro os pais se desesperarem. Não é raro os outros passageiros se perguntarem se merecem tal purgatório.

Elaborei nas viagens com minha filha e meus sobrinhos um pequeno manual de sobrevivência a bordo. Não é infalível, mas ajuda a transformar a baleia em um peixinho… Veja, abaixo, seis dicas:

  1. Custo
  2. Onde é melhor ficar
  3. Segurança a bordo
  4. Saúde a bordo
  5. Alimentação a bordo
  6. Entretenimento a bordo

1) No avião com as crianças: quanto custa a passagem?

by Bettina Monteiro on julho 19th, 2010

Não se engane: a passagem de avião só não é cobrada de uma criança se ela tiver até dois anos e ficar no colo de um adulto durante toda a viagem (ou bercinho colocado em suporte da parede do primeiro assento). E isso em algumas companhias aéreas – na maioria delas, você paga 10% do valor da tarifa cheia (aquela que ninguém nunca quer) até para ficar com ele no mesmo lugar.

Recomendo que você pague pelo assento extra – principalmente nos vôos com mais de duas horas e meia. A passagem de avião do bebê custa algo entre 50 e 75% do valor da passagem integral. A mesma tarifa, aliás, que ele desembolsará quando tiver entre dois e 11 anos. O valor do desconto varia de acordo com a companhia aérea, por isso, peça ao seu agente de viagem para pesquisar bem.

Mesmo se a criança ficar no seu colo, você deve avisar à companhia que ela fará o vôo: pois precisará de seu próprio bilhete e check-in. O Código Brasileiro de Aeronáutica não permite que menores de 12 anos viajem desacompanhados. Nesse caso, você terá de pagar uma passagem extra para que alguém da companhia aérea a monitore. Maiores de 12 podem viajar desacompanhados, desde que tenham autorização dos pais.

Como tudo depende da companhia aérea é bom checar antes.

2) No avião com as crianças: corredor ou janela?

by Bettina Monteiro on julho 19th, 2010
Janela ou corredor?

Janela ou corredor?

Crianças gostam de espaço e, convenhamos, não há muito na aeronave. A tendência é reservar os assentos nas saídas de emergência ou na primeira fila – as mais espaçosas. Em ambos os casos pode ser um erro. Para começar, passageiros com crianças de até 15 anos não podem ficar em saídas de emergência pois terão de ajudar os comissários em caso de perigo. Quanto à primeira fila, apesar do maior espaço para as pernas e do suporte para o Moisés na parede, ela tem um defeito: os braços não se erguem. Você sentirá falta disso quando seu filho quiser deitar a cabeça no seu colo para dormir. Cheque antes de reservar o assento. Outro problema deste lugar: a proximidade do banheiro pode acordar a criança. Prefira os assentos mais escuros e silenciosos. E lembre-se de que não vale a pena escolher a janela se a família não ocupar a fila inteira de poltronas. A saída para o corredor e para banheiro deve estar facilitada durante toda a viagem.

3) No avião com as crianças: segurança a bordo

by Bettina Monteiro on julho 19th, 2010

Antes de mais nada, menores de 12 anos têm atendimento preferencial e devem ser embarcados e desembarcados antes dos outros passageiros. Faça valer o direito: é mais cômodo para eles, para você e para os outros – e assim você tem tempo de se organizar na cabine sem aquela fila de gente empurrando atrás.

O avião não vai decolar se seu filho não estiver sentado e com o cinto de segurança fechadinho. E já vi cenas antológicas de fedelhos berrando para não colocar o apetrecho de segurança. Sugiro, portanto, que a negociação seja feita em terra. Ele deve saber: quando a luz vermelha do visor se acender ou quando a comissária solicitar, o cinto é obrigatório e ponto.

As regras de segurança estão mudando muito por isso é sempre bom checar se a companhia aérea vai aceitar ou não determinado equipamento. Cintos de segurança para a criança de colo que se prendem somente ao cinto do adulto, por exemplo, estão condenados. Hoje, as crianças pequenas ainda podem usar um assento de bebês de carros desde que tenha sido feito também para aeronaves (deve estar marcado no produto). Ele pode ser embarcado de graça e colocado no assento, principalmente, durante turbulências. Algumas importadoras já vendem também um cinto de seguranças próprio para crianças usarem no avião (lembra o cinto de quatro pontos, dando apoio também aos ombros).

4) No avião com as crianças: saúde a bordo

by Bettina Monteiro on julho 19th, 2010

A indisposição pode começar de cara se você não for esperto. Os gritos das crianças (por causa da dor de ouvido) podem causar dor de ouvido e outros gritos nos adultos. Para amenizar a “pressão” da cabine, o jeito é fazer com que elas engulam qualquer coisa durante a decolagem (e, depois, na aterrissagem). A deglutição destapa o ouvido. Se o seu bebê ainda estiver no peito, uma mamadeira com chá de camomila ou a chupeta fazem o mesmo efeito. Aos menores, ofereça uma mamadeira com leite ou água (lembre-se de enchê-la depois do embarque). Aos maiores, um chiclete funciona muito bem nesses dois momentos.

Assim que se acomodar, principalmente em vôos nacionais, cheque se há travesseiros disponíveis. E mantas – o ar do avião pode gelar os pequenos. Em seguida, regule as saídas de ar à sua cabeça.

Há segredinhos para tornar uma longa viagem menos desagradável: vestir roupas macias e sem fechos (nada de jeans apertados), levar sapatilhas de vôo, tampões de olho e aquele cobertor ou travesseiro que seu filho não larga. É bom oferecer muitos líquidos e até passar um hidratante pois o ar da cabine é muito seco (nos vôos internacionais leve pote de até 50 g). Lenços umedecidos são indispensáveis para qualquer idade, bem como mudas de roupa extra para as crianças e para você – assim, em caso de acidentes com água ou sucos, ninguém ficará molhado.

O mal-estar pode ser minimizado se a criança andar pela aeronave… Isso ajuda na boa circulação – estabeleça regras, é claro. Mas é preferível para todos uma criança engatinhando ou zanzando pelo corredor do que irritada, chorando, na poltrona.

Se seu filho precisar tomar algum remédio, leve a quantidade suficiente para o vôo e adicione algo mais. Pode haver atrasos.

5) No avião com as crianças: alimentação a bordo

by Bettina Monteiro on julho 19th, 2010

Foi-se o tempo em que bastava ligar para as companhias aéreas com dois dias de antecedência para garantir alimentação especial para os pequenos. Embora algumas empresas ainda incluam de papinhas a hambúrgueres entre os mimos para a criançada, muitas deixam claro em seus sites que não têm mais este tipo de diferenciação alimentar. E ainda frisam que não dispõem de lugar para esquentar a mamadeira. Ou seja, investigue antes de embarcar, solicite o que for possível e se garanta com um belo farnel. Alguns lambiscos podem ajudar a passar o tempo, além de alimentar: queijos pasteurizados, frutas, bolos, chocolates, bolachas, cereais. Detalhe: como nos vôos internacionais é proibido o embarque de líquidos, não esqueça de deixar essa compra para as lojas internas.

6) No avião com as crianças: entretenimento a bordo

by Bettina Monteiro on julho 19th, 2010

Meu kit sanidade inclui um mp3 player com as músicas mais queridas dela (de Palavra Cantada a The Beatles), a Recreio da semana, uma revistinha de colorir, um estojo de lápis de cor, dois livros queridos e um inédito e a lousa mágica. Sem esquecer da Júlia, a boneca transacional de minha filha. O segredo é não dar tudo de uma vez, mas tirar da mala de mão, aos poucos. Se conseguir fazer uma surpresa ainda melhor. Criança ocupada, criança feliz. Criança feliz, criança quieta: sossego para todo mundo.

Não deixe de perguntar o que a companhia aérea também tem a oferecer. Além dos filmes, claro, muitas ainda editam suplementos infantis, têm jogos, canais musicais ou outras distrações como videogames. Também não custa mostrar interesse pela cabine. Quando o comandante gosta de crianças é o programa mais divertido que se pode fazer a bordo – sempre pergunte ao comissário de sua fileira se é possível.

É bom lembrar: nas viagens curtas, prefira sempre os vôos sem escalas e as rotas mais curtas. Tente viajar de manhã (o café vira uma distração a mais) ou na hora do almoço (idem). Para viagens mais longas, escolher um período em que a criança costuma dormir pode ser uma boa idéia para que ela não sinta tanto tédio. Evite as viagens muito longas, a não ser que o irmão de seu filho vá competir na China. Nesse caso, quebrar o vôo pode ser uma saída inteligente, dando à criança oportunidade de descansar (seja dormindo bem, seja brincando).

Eu vou pra Maracangalha

by Bettina Monteiro on julho 18th, 2010

Dicas para decidir qual o destino de suas próximas férias

Decidir o destino das férias nem sempre é fácil. Você quer o sol, seu marido o inverno, seus filhos querem a Disney, a sogra quer sua companhia no campo, sua mãe convida para praia… Isso quando o dinheiro resolve não parar na conta e o seu horizonte é o prédio da frente. É… é difícil decidir o destino das férias. E quando a dúvida não vai embora, eu apelo para um pequeno check-list que, se não resolve, ajuda:

Bahia: bom destino para todas as idades

Bahia: bom destino para todas as idades

  • Quando: definir a data da viagem (ajuda se você comunicar ao chefe ou aos empregados antes);
  • Quanto: colocar em um papel o quanto se quer (e se pode) gastar;
  • Onde: restringir o mundo a, no máximo, três destinos;
  • Como: definir o tipo de viagem – cultural, natural (ops), esportiva etc;
  • Porque dá: listar um ponto positivo de cada destino;
  • Porque não dá: listar um ponto-desfavorável de cada destino;
  • Criançômetro: checar se o lugar escolhido é próprio para as crianças.

Quer ver como funciona? Meu caso…

  • Quando: julho (meu chefe já liberou);
  • Quanto: 2 mil reais por pessoa;
  • Onde: Bahia, Ceará, Orlando;
  • Como: resort, diversão, spa e sol;
  • Porque dá: na Bahia tem resorts & spas; no Ceará tem resorts & sol, em Orlando tem resorts, diversão & sol;
  • Porque não dá: na Bahia não tem sol; no Ceará a passagem é cara e Orlando está fora do orçamento.
  • Criançômetro: a Bahia é tudo de bom; o Ceará tem o Beach Park e Orlando é melhor depois dos seis anos.

Ou seja: ficou bem mais fácil não decidir. Perguntei pra Lulu se ela quer Bahia ou Ceará e a resposta: Maracangalha, mamãe. Lá vamos nós de novo. Da Bahia a Bahia. Bendito Dorival.

Os trens da nossa infância

by Bettina Monteiro on julho 18th, 2010

A expectativa da viagem já é uma viagem?

Seria apenas uma singela viagem de puma entre São Paulo, a capital, e Araraquara, no interior. Mas minha irmã, Nanda, e eu mal podíamos dormir. Tínhamos pouco mais de um metro de altura e os trens, pra gente, eram coisa da tia Mary Rachou, uma inglesa independente, elegante e magérrima que casara com o irmão de meu avô. Tia Mary sabia guiar mas gostava mesmo era de lembrar dos trens de sua própria infância, espaço em que se desvencilhava de uma duríssima preceptora alemã. Nós nunca havíamos entrado num vagão e também nunca tivéramos uma preceptora, quiçá alemã, mas a espera de embarcar naquele novo mundo se transformava numa passagem para a Índia ou outra colônia inglesa. O trem da nossa imaginação tinha camas, banheiros, preceptoras alemãs, ingleses de bochechas coradas e cartolas indo e vindo, maçanetas de ouro, indianos barulhentos, festa a bordo, Miss Marple e tia Mary Rachou, indo e vindo com sua elegante bengala…

Lembro-me mais da expectativa da viagem do que do cruzeiro em si. A contagem dos dias na folhinha da empregada (fazíamos um X), a escolha das roupas, a preparação das malas, as recomendações e recomendações de minha avó… Quantas histórias inventamos antes de nos sentarmos em poltronas no último carro, o Puma, e vermos o trilho sumir no chão do horizonte. Foi a coisa mais excitante de nossos cinco e quatro anos de vida.  A viagem real foi ótima, embora parecesse nunca acabar, giramos nas poltronas do puma, lemos gibis na saleta de fumantes (minha avó fumava), almoçamos no vagão-restaurante… mas na imaginação, ah… o trem da tia Mary voava!

Não muito por isso, mas mais pelos imprevistos, evito dizer a Lulu que vamos viajar. Pelo menos não com muita antecedência. Dessa vez, porém, não me contive. Estava tão feliz de ter fechado as passagens aéreas baratinhas que dei o serviço inteiro. Estou presa a elas, agora. Às infindáveis questões de Maria Luiza (como as crianças perguntam!). “Falta muito?”, “Em qual hotel vamos ficar?”, “Posso tomar água-de-coco?”, “O mar vai estar gelado?”, “Aquele avião é o nosso?”, “Vamos comprar uma mala?”, “Mamãe, mamãaaaaaaaaaaaaaaaaaaae, fala comigo!”, “Mãe, a gente pode levar um brinquedinho?”, “Mãe, você não vai esquecer a Julia (boneca de dormir)?”. “Mãe, mas julho está longe?”. “Vou ficar com saudades dos meus amigos?”, etc, etc, etc…

Ah, os trens da infância!

Como arrumar as malas

by Bettina Monteiro on julho 13th, 2010

É de Fernando Pessoa uma das máximas que mais gosto: “Na véspera de não partir nunca, ao menos não há que arrumar as malas”. Arrumar as malas é realmente maçante. Escrevi a reportagem abaixo, há quinze anos, para a edição número 1 da revista Viagem e Turismo, onde eu era repórter. Aprendi alguns truques novos. Mas meu principal lema continua só levar o que posso carregar. Ou melhor: puxar.

Mala de viagem: com rodinha e com alça

Mala de viagem: com rodinha e com alça

A DIFÍCIL ARTE DE FAZER AS MALAS

Idéias, dicas e conselhos para melhorar a delicada relação entre o turista e suas incômodas companheiras de viagem

Não é à toa que mala, substantivo simples, feminino e singular, virou adjetivo. E de conotação pejorativa. Com alças ou rodinhas, ela é, disparado, o principal estorvo na vida dos viajantes. E a explicação para isso é simples: a mala tolhe a liberdade. Exemplos disso vêm da própria história desse objeto-de-carregar-coisas. Antigamente, usavam-se baús, enormes e pesadíssimos, que levavam de tudo: de roupas a talheres porque, afinal, as viagens eram quase mudanças (São Paulo ao Rio em uma semana, lembra-se?). No museu Vuitton, nos arredores de Paris, podem-se ver algumas destas curiosidades: malas-armário, malas-leito, malas-bar, malas-tudo. Hoje, as malas são infinitamente menores, mas ainda não diminuiu o tamanho do incômodo que elas trazem. E ele é diretamente proporcional ao tamanho da mala. Geralmente, exagerado.

É que, na dúvida entre um sapato e outro, normalmente levam-se os dois – e, depois, que alguém sente na mala para puxar o zíper! “O segredo está em usar o preto como cor básica”, ensina o estilista Walter Rodrigues, que também recomenda, para os homens, camisas e camisetas brancas, um blazer, uma roupa mais arrumada (para um compromisso súbito), um calçado confortável e outro mais elegante. Preto, é claro.

A mala feminina também pode ser bem resolvida com peças básicas de cores neutras: branco, preto, cinza ou marrom, no inverno; e branco e azul-marinho no verão. Não esquecer um tailleur e um básico tubinho preto. A jornalista Olga Krell, especialista em etiqueta e viajante assídua, leva sempre duas malas: uma na mão, com os sapatos, maquiagem, artigos de higiene e até um guarda-chuva. Já a professora Marta Dietrich mudou definitivamente o jeito de preparar a mala depois de, um dia, chegar no Marrocos sem ela. Era domingo, estava tudo fechado e não havia roupas ocidentais à venda. O jeito foi avançar na bagagem do marido e tentar adaptar. Do sufoco, Marta tirou a lição: misturar as roupas do casal em todas as malas.

A experiência pessoal ajuda, mas pequenos truques podem virar regras infalíveis de rapidez e boa organização na hora de fazer as malas. Nécessaires, por exemplo, são ideais para acomodar e localizar rapidamente produtos de higiene e beleza, remédios, bijuterias e outras miudezas. Levar sacos plásticos vazios para colocar a roupa suja é fundamental. E, para amassar menos, ternos e blazers devem ser dobrados do avesso.

Tão importante quanto arrumar bem uma mala é protegê-la. Alguns cuidados são obrigatórios: pendurar fitas coloridas ou marcá-las com adesivos; identificar (por fora e por dentro) com nome, endereço e telefone; e fechar todas com cadeado. Em nome da segurança, o must do momento é a plastificação. Em seis aeroportos do país, já se pode embalar a mala com o sistema Protec Bag, que além de evitar que ela se suje ainda é uma barreira extra às violações. Cada volume lacrado custa cerca de 12 reais.

Qualquer providência é útil, porque uma mala extraviada é problema na certa e o valor reposto nunca cobre todo o prejuízo. O seguro padrão das companhias aéreas prevê uma indenização de apenas 20 dólares por quilo. E, como regra geral, uma mala pode levar até 20 quilos, sua estimada bagagem valerá, no máximo, 400 dólares – com certeza um valor insuficiente para se comprar de novo tudo o que havia nela. Pode-se, no entanto, fazer um seguro extra no ato do check-in. Basta preencher uma declaração do conteúdo da mala e combinar o valor do seguro e do prêmio. Mas atenção: jóias, relógios, cheques de viagem e outros objetos de valor não têm cobertura. Por isso mesmo, a técnica em defesa do consumidor do Procon, Cláudia Mungioli, recomenda: nunca despache o que não se poderá substituir, como jóias de família e outros objetos queridos.

Se, com todos os cuidados, a esteira girar e sua mala não aparecer, reclame no balcão da companhia aérea e tente um acordo com a empresa, baseando-se, se for preciso, até em notas fiscais de compras. Em último caso, entre com um processo via Procon. Só entre janeiro e abril, o órgão recebeu 699 consultas diretamente ligadas a serviços prestados na área de turismo: 80 viraram processos.

Na prática, todo mundo conhece pelo menos alguém que já perdeu uma mala. Gente como o casal Ilka e Ricardo Cohen, que dançou em 1 800 dólares numa bagagem extraviada no trecho Los Angeles-Nova York-São Paulo. Depois de muita briga, eles conseguiram uma indenização de 638 dólares da American Airlines – pouco, é bem verdade, mas pelo menos mais do que teriam direito pelas regras vigentes. Mas, se voltar para casa sem a mala já é uma catástrofe, pior é chegar a um lugar estranho sem ela.

Vestindo roupas leves e com apenas um casaquinho na mão, a jornalista Rosângela Zorzo notificou a Alitalia, ainda na aeroporto de Roma, de que sua mala não chegara e, surpresa, descobriu que legalmente a companhia teria trinta dias para tentar localizar a bagagem antes de ressarci-la – e o pior é que era verdade. Conclusão: traumatizada, Rosângela nunca mais despachou uma mala, apesar dos problemas na hora de embarcar no avião. Nessas horas, não há quem não compartilhe do sonho do publicitário Washington Olivetto: “Poder viajar sem malas”.

É claro que se você seguir à risca os conselhos desta reportagem certamente evitará alguns aborrecimentos, tanto ao preparar quanto ao despachar uma mala. Mas, apesar disso, não se iluda: uma mala (no substantivo) é e será sempre uma mala (no adjetivo).

DICA-1 Bom senso: a arma da boa arrumação Regra número um para uma mala bem-feita: a quantidade de roupas e o tamanho da mala devem combinar. Roupas de mais ficam amarrotadas, de menos, acabam se embolando.

DICA-2 Enrolar antes, para não desamassar depois camisetas de algodão e blusas de linha, dobradas e enroladas, não amassam. A dica vale também para meias, cintos e gravatas.

DICA-3 Sapatos ganham acomodação especial acondicionados em saquinhos de tecido, os sapatos devem ser colocados nos cantos.

DICA-4 Praticidade e elegância viajam juntas mulheres que não abrem mão da elegância e não querem ter trabalho devem abusar das peças de microfibra, que não amassam. E nunca levar roupas de linho.

DICA-5  Para vestir, é só desdobrar camisas: abotoadas, dobradas como novas e sobrepostas com as golas alternadas. As calças, com bolsos vazios, ficam no fundo.